Núcleo Atuarial de Previdência

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Visão de curto prazo prejudica a indústria
Atualmente 60% dos cerca de R$ 450 bilhões da carteira dos fundos de pensão estão alocados em fundos de investimento. A grande preocupação da Secretaria de Previdência Complementar (SPC) em relação ao mercado é sair da visão de curto prazo. Esse é um desafio para os fundos de pensão que hoje pagam mais de 700 mil benefícios.  Segundo Ricardo Pena, que dirige a SPC, os fundos de pensão enfrentam hoje dois grandes riscos: a longevidade da população, o que significa que será necessário ampliar as reservas, e a queda na taxa de juros, que influi na meta atuarial das fundações.

Nos últimos seis anos, segundo Pena, os fundos de pensão buscaram formas de se adaptar ao novo cenário, o que exigiu consumir mais reservas. "Cada ponto percentual de queda na taxa de juros aumenta o custo das fundações em 25%", afirmou em sua palestra de abertura do painel sobre regulação e autorregulação do 5º Congresso Anbid de Fundos de Investimento. Pena defende uma estratégia gradualista para essa mudança, que implica reduzir o limite da meta atuarial, que hoje é de 6% mais inflação. Para ele, o setor acumulou superávit nos últimos anos (R$ 76 bilhões em 2007 e R$ 39 bilhões em 2008) e se preparou para mudança de cenário. "A melhor taxa de juros a ser aplicada seria a de longo prazo e não a de curto prazo", disse.

O Brasil é oitavo sistema mundial de fundos de pensão. Foi menos afetado pela crise do que o sistema dos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que perderam 20% em 2008. "O sistema no Brasil perdeu 1,8% e, nos últimos seis anos, obteve rentabilidade 30% superior às metas atuariais", informa.

Em 2008 o patrimônio dos fundos representava 17% do PIB brasileiro. Segundo Pena, o plano é buscar investimentos alternativos, como fundos de participação, financiamento de empresas emergentes, mais produtos de crédito, investimentos em infraestrutura e no setor imobiliário, que hoje representam 3% da carteira, mas podem chegar a 8%. "Os limites quantitativos de aplicação vão continuar. Não dá para ser como em outros países. Precisamos proteger o participante", afirma. Outra proposta é de ampliar para 10% o limite de aplicação em fundos no exterior, via fundos de investimento registrados na CVM.

Na área de certificação, Pena defende que programas da Anbid incluam a área de previdência. "É preciso formar nova geração de gestores. Desde 1970 os gestores convivem com um cenário de inflação elevada. Há uma demanda para maior profissionalização. Temos que aproveitar todas as experiências e acelerar o processo", afirma.

A SPC, segundo Pena, está no limite de sua capacidade funcional e tem pela frente um cenário de crescimento. O caminho a seguir é a criação da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc). Há um projeto de lei do executivo em tramitação no Congresso nesse sentido, que começou a tramitar em setembro do ano passado na Câmara. Pela proposta, a nova autarquia terá autonomia administrativa e financeira. Será vinculada ao Ministério da Previdência Social. Pena entende que a Previc, além de fortalecida com uma estrutura maior, conseguiria estabelecer critérios mais técnicos para regular e supervisionar o setor. (João Carlos de Oliveira - Valor Online)

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Fonte: VALOR ONLINE

 
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